DIA DO LIVRO !!!!
-DISPA-ME! (o que nossa roupa diz sobre nós) Catherine Joubert e Sarah Stern
Fugia então para a butique seguinte, dessa vez querendo querendo fazer um compra decisiva.Mas essa reflexão cedia lugar a uma espécie de frenesi.As peças acumulavam-se na cabine de provas. Céline vestia e despia as roupas várias vezes.Após escolhido o modelo, não conseguia decidir sobre a cor- comparava, interrogava uma vendedora,depois uma segunda, para acabar pegando outro modelo. Como as paisagens pela janela de um trem, o ritmo se acelerava e as butiques desfilavam.Embora em geral fingisse indiferença no início da tarde,dessa vez estava tomada por uma espécie de mal-estar.Não parava mais de bater perna pelas ruas, andando sem objetivo na expectativa de um ponto de ruptura, de um acontecimento que detivesse aquela corrida.
A tensão aumentava, mas enquanto não encontrasse a roupa maravilhosa que pudesse saciá-la Céline continuaria a comprar.Gastava somas cada vez mais significativas.Hesitante,pegava uma,depois duas, depois três peças, sem que nada a agradasse de fato.Seu valor acumulado não a satisfazia mais.
O fim do dia com o fechamento das lojas, provocava o auge da angústia em Céline. Pouco antes da hora fatídica, ficava enlouquecida e seus gestos tornavam-se intempestivos.Ao atravessar as lojas correndo,o olhar deslizando pelas seções, manipulando bruscamente os cabides,parecia efetuar uma espécie de mímica desarticulada.
Quando, um pouco depois das 19h, a última butique estava fechando, Céline resolvia comprar a enésima calça sem sequer tê-la experimentado, e via-se sozinha no meio da noite com as sacolas acumuladas durante o dia: a excitação das compras cedia lugar à tristeza, a um grande cansaço.
FOTOS : MERCADO DE PULGAS -ROMA