Acordo! Um raio de luz atravessa a janela. O dia está
nascendo.
Gosto das manhãs escuras cinzentas....
Há muito aprendi a manusear o tempo ao meu bel-prazer.
Talvez uns raios...trovões....
Um chá de urtiga me deixa alerta!
Chamo meu gato...preto? Não! laranja com um olho verde. O
outro olho não tem.
Preciso de inspiração. Leio Franks Stein...Tão monótono.Saio.Meu
gato me acompanha, as pessoas nos olham de viez. Não gostam do meu cabelo espetado,
tem medo do gato e acham ridículas as tralhas que arrasto comigo.
Sento em um banco na praça, começo a tricotar. À..! gosto muitíssimo de tricotar meias longas
...sem fim....
Meu estomago e do gato rocam. Precisamos de comida, tento
vender umas meias. Troco por pão e tomate.... Voltamos felizes. Ainda é dia,
vou cuidar do jardim, a terra úmida me faz sorrir.
Colho margaridas e enfeito a cerca amarela. Anoitece! Invento
estrelas e deito sobre a terra para contempla-las. Adormeço!
Acordo muito mais tarde com uma chuva fina. Busco minhas
tralhas, acordo o gato e saio pela madrugada. Caminho encolhida e o gato
miando, a chuva está fria... vou até a beira do rio, meu lugar favorito para
refletir...ter meus momentos de lucidez.















